Exclusões - As velhas e as Novas
O Brasil é um pais de várias exclusões...Claro que a exclusão (ou as exclusões sociais) são parte do cotidiano de muita gente...
Muros cercam palestinos em gaza, muros tentam isolar os estadunidentes (eles se chamam americanos) do resto dos mexicanos (e outros latinos como nós) pobres que vem trabalhar por tostões falando spanglish na gringolândia.
Na áfrica subsaariana, em 1997, 1,5 milhão de crianças ficaram órfãs (90% dos órfãos do mundo naquele ano) por causa "daquela coisa" - iyoyo, AIDS (http://www.webciencia.com/10_africa.htm). Pois é, onde a prevenção, o tratamento e a riqueza permitem...a AIDS está se tornando uma doença crônica grave...Na áfrica mata muito (mais de 25 milhões de pessoas).
Estas exclusões estão, ao mesmo tempo, distantes e visíveis pra gente. É fácil ver um muro...É fácil se emocionar com criancinhas africanas morrendo de AIDS. Difícil é lidar com as exclusões cotidianas, com o que nos parece normal e comum...
Uma amiga, outro dia...conversando sobre um projeto de casa que quer fazer, travou este interessante diálogo, que eu recriei de memória, acrescentando alguma pimenta:
Interlocutora - Onde vai ficar o banheiro de serviço?
Minha amiga - Não vai haver banheiro de serviço.
Interlocutora (Cara de espanto mal disfarçada) - Mas...Isso não vai ser um incômodo? ...não haver nem banheiro....sabe como é...Afinal...é uma complicação...vc ter o mesmo banheiro pro pessoal que trabalha em casa e pros seus eventuais convidados...(já disfarçando o desconforto como nossa cara de espanto). Afinal...no fim ficam..roupas...toalhas..coisas no banheiro...que vc não gostaria que estivessem lá...
Minha amiga - Não vai haver banheiro de serviço.
Neste lugar, muito bonito e arrumado, onde mora essa educada e esclarecida profissional liberal, as casas não tem muros na frente. As ruas são limpas e arborizadas, as crianças brincam de bicicleta e vão para a escola particular encontrar seus iguais. Seus carros tem ar-condicionado, e elas tem medo das outras crianças que vendem balas nas ruas.
Neste lugar, mucamas que servem suco e sanduíches para nossas crianças que jogam vídeo-game na sala ou no quarto, são um fato natural da vida, como os banheiros de empregada e os muros eletrificados que os cercam.
Nesse lugar, as bicicletas dos empregados são deixadas fora do espaço asséptico e isolado do sacrossanto paraíso de classe média...

Essa exclusão me impressionou...uma exclusão nova, do meio de transporte dos empregados do condomínio. Você não pode usar sua bicicleta dentro do condomínio. Tem, quando entra, que se reduzir à condição pedestre, pôr-se definitivamente no seu lugar. Lhe é vedado este conforto...

Em tempo...O guarda do condomínio, muito preocupado com a questão da segurança, me perguntou por que eu estava tirando aquelas fotos. Eu perguntei, por que as bicicletas ficavam ali fora. Ele candidamente me disse que era para "Evitar roubos no condomínio".
È difícil enxergar a exclusão assim, quando ela se torna parte do nosso cotidiano, quando ela vira um coisa natural...
Não sei o que pensar sobre isso. Não gosto, não quero viver num lugar assim.
Também não tenho lições nem saídas para tirar daí...É só a tristeza de enxergar a nossa capacidade criativa para inventar novas exclusões.
Muros cercam palestinos em gaza, muros tentam isolar os estadunidentes (eles se chamam americanos) do resto dos mexicanos (e outros latinos como nós) pobres que vem trabalhar por tostões falando spanglish na gringolândia.
Na áfrica subsaariana, em 1997, 1,5 milhão de crianças ficaram órfãs (90% dos órfãos do mundo naquele ano) por causa "daquela coisa" - iyoyo, AIDS (http://www.webciencia.com/10_africa.htm). Pois é, onde a prevenção, o tratamento e a riqueza permitem...a AIDS está se tornando uma doença crônica grave...Na áfrica mata muito (mais de 25 milhões de pessoas).
Estas exclusões estão, ao mesmo tempo, distantes e visíveis pra gente. É fácil ver um muro...É fácil se emocionar com criancinhas africanas morrendo de AIDS. Difícil é lidar com as exclusões cotidianas, com o que nos parece normal e comum...
Uma amiga, outro dia...conversando sobre um projeto de casa que quer fazer, travou este interessante diálogo, que eu recriei de memória, acrescentando alguma pimenta:
Interlocutora - Onde vai ficar o banheiro de serviço?
Minha amiga - Não vai haver banheiro de serviço.
Interlocutora (Cara de espanto mal disfarçada) - Mas...Isso não vai ser um incômodo? ...não haver nem banheiro....sabe como é...Afinal...é uma complicação...vc ter o mesmo banheiro pro pessoal que trabalha em casa e pros seus eventuais convidados...(já disfarçando o desconforto como nossa cara de espanto). Afinal...no fim ficam..roupas...toalhas..coisas no banheiro...que vc não gostaria que estivessem lá...
Minha amiga - Não vai haver banheiro de serviço.
Neste lugar, muito bonito e arrumado, onde mora essa educada e esclarecida profissional liberal, as casas não tem muros na frente. As ruas são limpas e arborizadas, as crianças brincam de bicicleta e vão para a escola particular encontrar seus iguais. Seus carros tem ar-condicionado, e elas tem medo das outras crianças que vendem balas nas ruas.
Neste lugar, mucamas que servem suco e sanduíches para nossas crianças que jogam vídeo-game na sala ou no quarto, são um fato natural da vida, como os banheiros de empregada e os muros eletrificados que os cercam.
Nesse lugar, as bicicletas dos empregados são deixadas fora do espaço asséptico e isolado do sacrossanto paraíso de classe média...

Essa exclusão me impressionou...uma exclusão nova, do meio de transporte dos empregados do condomínio. Você não pode usar sua bicicleta dentro do condomínio. Tem, quando entra, que se reduzir à condição pedestre, pôr-se definitivamente no seu lugar. Lhe é vedado este conforto...

Em tempo...O guarda do condomínio, muito preocupado com a questão da segurança, me perguntou por que eu estava tirando aquelas fotos. Eu perguntei, por que as bicicletas ficavam ali fora. Ele candidamente me disse que era para "Evitar roubos no condomínio".
È difícil enxergar a exclusão assim, quando ela se torna parte do nosso cotidiano, quando ela vira um coisa natural...
Não sei o que pensar sobre isso. Não gosto, não quero viver num lugar assim.
Também não tenho lições nem saídas para tirar daí...É só a tristeza de enxergar a nossa capacidade criativa para inventar novas exclusões.

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