No coração das Amazônias

6.8.07

A contradição em Processo na Fronteira


Parabolicamará

(Gilberto Gil)


Antes mundo era pequeno
Porque Terra era grande
Hoje mundo é muito grande
Porque Terra é pequena
Do tamanho da antena parabolicamará

Ê, volta do mundo, camará
Ê, ê, mundo dá volta, camará

Antes longe era distante
Perto, só quando dava
Quando muito, ali defronte
E o horizonte acabava
Hoje lá trás dos montes, den de casa, camará


De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnação


Pela onda luminosa
Leva o tempo de um raio
Tempo que levava Rosa
Pra aprumar o balaio
Quando sentia que o balaio ia escorregar


Esse tempo nunca passa
Não é de ontem nem de hoje
Mora no som da cabaça
Nem tá preso nem foge
No instante que tange o berimbau, meu camará


De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnação
De avião, o tempo de uma saudade

Esse tempo não tem rédea
Vem nas asas do vento
O momento da tragédia
Chico, Ferreira e Bento
Só souberam na hora do destino apresentar


Ê, volta do mundo, camará
Ê, ê, mundo dá volta, camará

21.7.07

Rodon, especialmente Rondon. Lendo The River of Doubt



Da esquerda para direita: Zahm, Rondon, Kermit, Cherrie, Miller, Roosevelt, Fiala.

"A Expedição Científica Rondon-Roosevelt teve como líderes Theodore Roosevelt e Marechal Cândido Rondon de 1913-1914, foram os primeiros exploradores ao longo do "Rio da Dúvida" (renomeado mais tarde como Rio Roosevelt) localizado em áreas remotas da Bacia Amazônica na Amazônia, Brasil. Parte patrocinada pelo Museu de História Natural Americano, eles também coletaram várias novas espécies de animais e insetos.

O plano inicial de Roosevelt era viajar para Argentina e Brasil e um cruzeiro pelo Rio Amazonas, mas a sugestão do governo brasileiro foi que Roosevelt acompanhece o Marechal Cândido Rondon em uma exploração através do Rio da Dúvida, na selva amazônica. Roosevelt, após derrota pela Casa Branca, aceitou o desafio. A expedição iniciou em Cáceres, margem do Rio Paraguai em Mato Grosso com 15 pessoas.

Descobriram o rio da Dúvida em 27 de fevereiro de 1914. A partir daí, devido a uma falta de alimentos, a expedição se dividiu em duas, uma continuou pelo rio da Dúvida e a outra seguiu pelo rio Madeira.

A expedição começou a ter problemas com insetos e doenças como a malária atacando todo o grupo. Até mesmo Roosevelt estava com muitas feridas e perto da morte mas conseguiram abrigo com os serigueiros da região."

Bom nao foi exatamente assim. Roosevelt perdeu as eleicoes e quis passar um tempo fora dos EUA. Tinha um filho trabalhando no Brasil e veio fazer uma expedicao no rio Amazonas. Ouvindo falar do rio das Dúvidas, através do Governador da Bahia, mudou o intinerário, anteriormente feito com o apoio do Museu de História Natural de Nova Iorque, que nao aprovou seu novo itinerário. Saindo de Cárcere no dia do natal, e acompanhando por Rodon e chegando na confluência do rio Aripuanã, seis meses depois, onde um grupo de exército, pré enviado por Rondon os esperavam para levá-los a Manaus. Seria impossível Roosevelt sair vivo dessa expedição se não tivesse sido guiado por Rondon. Sua saúde nunca mais foi a mesma depois desta viagem, pois foi atacado por malária, infeccoes e fome. Morreu cinco ano depois ainda resultado de uma infecçao numa perna previamente machucada que foi novamente ferida durante a viagem. Imagina uma viagem dessa numa época em que não havia antibiótico numa regão povoada de índios que nunca haviam feito contato com o homem branco e um rio desconhecido que tinha mais de 10 cachoeira a ser transposta através da selva fechada com canoas pesadas e todos os equipamentos... Além de tudo ninguém sabia onde o rio das Dúvidas iria desembocar, tendo Rondon suposto que era no rio Madeira. A viagem teria sido muito mais longa se nao fosse pois haveriam de descer de canoas mais de 1000 km no ri maderia....

8.7.07

Impactos da produção de grãos no desmatamento amazônico

Cláudio Puty, Oriana Almeida e Sergio Rivero Universidade Federal do Pará (UFPA)

Um fenômeno novo observado na Amazônia vem despertando a atenção de cientistas, autoridades e da sociedade civil. Trata-se da expansão da agricultura mecanizada, voltada principalmente para a exportação. Essa forma de produção agrícola, apesar de aparentemente provocar pouco desmatamento direto, coloca em movimento um ciclo indireto de derrubada da floresta e, segundo estudos científicos, pode levar a um grande aumento nas taxas de desflorestamento da região. A produção de uma série de grãos, como arroz e milho, encaixa-se nesse perfil; porém, é a soja o exemplo mais claro dessa relação.

A demanda mundial por soja não pára de crescer. Embora represente hoje apenas 10% do mercado de grãos, estimativas indicam que, se mantida a tendência, seu cultivo ultrapassará os de arroz e trigo até a metade do século. O Brasil responde a essa demanda ampliando a produção. No Centro-oeste, grandes áreas de cerrado já foram substituídas por plantações. Na região amazônica, a soja entrou recentemente, atraída pela enorme quantidade e pelo baixo preço de terras planas (ideais para a agricultura mecanizada) e pela fragilidade institucional (que não garante a aplicação da legislação ambiental).

Bom exemplo desse processo é Santarém, no Pará, município que se tornou, a partir de 1997, um laboratório de produção empresarial de soja. Os resultados iniciais dos experimentos agronômicos na região serviram de base para atrair produtores do Mato Grosso, processo reforçado com o anúncio do asfaltamento da BR 163 (Cuiabá-Santarém) na atual década. No entanto, foi a implantação do terminal graneleiro da empresa norte-americana Cargill na região que despertou o interesse das grandes empresas produtoras de grãos. Isso pode ser explicado pela existência do porto, cuja construção teve início em 2002 e que reduziu em até mil km o caminho percorrido pela soja a ser exportada em relação ao percurso até o porto de Paranaguá (PR), normalmente utilizado.

A instalação desse terminal gerou também um aumento surpreendente nos preços da terra: o hectare de áreas agricultáveis de Santarém, que valia R$ 200 em 1998, atingiu R$ 2 mil em 2005. A conseqüência foi um acelerado processo de venda de terras por parte dos agricultores familiares, cujo destino passou a ser o êxodo rumo à periferia das cidades ou a abertura de novas fronteiras agrícolas, com a ocupação, muitas vezes, de áreas de floresta primária. Além disso, os empresários da soja arrendam ou compram áreas de terras já 'limpas' pela extração madeireira e pela pecuária, o que também leva à criação de novas frentes de ocupação do território.

Recentemente, porém, dois fatores têm limitado o avanço da soja na Amazônia. O primeiro deles é a queda do lucro na indústria da soja, fruto do efeito da taxa de câmbio sobre as exportações, que tornou a produção brasileira bem menos atrativa no mercado internacional. O segundo é a resistência de parte da sociedade civil.

Em Santarém, por exemplo, organizações não governamentais (ONGs) criaram o movimento Frente de Defesa da Amazônia com o objetivo de lutar contra a expansão da soja e seus impactos. A ONG internacional Greenpeace também iniciou uma campanha (mundial) contra a entrada da soja na Amazônia. No Brasil, os protestos focaram principalmente o terminal da Cargill, que começou a operar sem a realização do estudo de impacto ambiental. Além disso, essa ONG, através de campanha na Europa, conseguiu que a rede McDonald's, que comprava 5% da soja da Cargill para alimentar frangos, ameaçasse não mais comprar soja plantada na Amazônia. Como resultado, as exportadoras de grãos assinaram em julho de 2006 uma 'carta de compromisso socioambiental', declarando que não mais comprariam soja de novas áreas desmatadas da Amazônia. Essa é uma vitória significativa, mas insuficiente. Um dos principais problemas é o fato de que o acordo não impede o plantio em áreas já abertas, por exemplo, para pecuária. Como essa atividade não é controlada, ela pode se expandir para áreas de florestas, disfarçando o desmatamento causado pela soja.

A expansão da produção de grãos na Amazônia vai, pouco a pouco, mudando o perfil de seu território. Os novos avanços do agronegócio dependerão dos limites impostos pela sociedade civil, que ensaia formas de resistência que vão além das fronteiras nacionais, e do rumo da ação estatal, sobre a qual ainda pairam dúvidas acerca da capacidade de fazer valer a legislação ambiental. É na combinação desses fatores que se joga o destino da região e de suas populações.

Leia mais na revista Ciência Hoje, edição de julho



Paragominas, Fronteira antiga de exploracao madeireira.







Soja instalada em Paragominas.

La Paz, Bolívia



La Paz é uma cidade que parece que foi construída por Spielberg. O aeroporto da cidade fica 600 metros mais alto que a capital e sua subida eh feita em 20 minutos o que representa uma subida íngreme onde as casas são penduradas nas encosta.

Das cidades que conheci nesses 22 dias - Lima, Iquitos, Leticia, Tabatinga, Bogota, Quito, La Paz, Cochabamba, La Paz para mim foi a mais impressionante com seus picos secos e desvegetados, os nevados ao longe, as casas subindo encostras íngremes, e sua temperatura baixa a noite.

Fiquei por duas vezes tentada a ver o Lago Titicaca, mas no dia disponivel o rapaz do Xerox nao entregou tudo e como eu tinha que buscar ha 40 minutos de distância, ida e volta, e ir para Cochabamba a noite, tive que cancelar esse passeio.

Voltando a Lima sobrevoamos o lago Titicaca ate ficar coberto por nuvens. 15 minutos depois olhei novamente pela janela e la eestava o lago titicada de novo. Fiquei impressionante, porque sabia que era grande mas nao sabia que se sobrevoava por tanto tempo.
















19.6.07

Iquitos, Amazonas


Iquitos, Peru.

Foto do rio Amazonas logo apos a juncao do rio Ucayali e Maranon. Desci esse rio de barco num rapido durante 8 horas. Pensava que o rio Amazonas seria estreito como o Madre de Deus mas eh tao largo com o Solimoes, onde continua.



Varias coisas me impressionaram em Iquitos. Enquanto Lima eh extremamente europeia, Iquitos é totalmente amazonica. Entretanto, o comercio de carros e motos que fazem entre a costa da America Latina e Japao e Coreia resulta na existencia do mototaxis, mas que eu chamo TucTuc como se chama na Tailandia.

Adoro esses tuc tuc e fiz uma colecao de fotos aqui.




Olha isso, não eh o máximo?






1.2.07

Programa de Educação Ambiental para as Escolas da Várzea - Santarém



O futuro da várzea está nas mãos das crianças que estão na escola hoje. Suas atitudes e percepções, além de seu conhecimento da ecologia e manejo dos seus recursos, serão fatores chaves no desenvolvimento sustentável da várzea. Com essa finalidade, a equipe de Educação Ambiental, formada por Socorro Pena, Fernanda Pimentel e Edinaldo Lopes, trabalharam com professores municipais a fim de desenvolver um programa de educação ambiental para escolas primárias desde 1994.

A experiência piloto foi feita no Ituqui, 20 quilômetros ao leste de Santarém. Durante esse período foi elaborado, junto com os professores do Ituqui, um manual que apresentava de forma cumulativa os conceitos básicos de geografia e de ecologia de várzea através de 11 temas geradores e um guia para auxiliar os professores no uso do material e na preparação das atividades educativas. O objetivo do programa foi de criar, nos professores e alunos, um entendimento do ambiente de várzea e seus recursos, e que os ajudaria a avaliar como suas ações afetam o meio ambiente e a qualidade de vida na várzea.

Tanto tempo depois de ter escrito esse texto voltei na várzea para a visita da W para mais um evento de Educacao Ambiental. Ontem o dia foi num lago vendo os pescadores fazerem a contagem visual do Pirarucu. Hoje o dia foi com os alunos da escola festejando a primeira soltura de tartarugas em 4 comunidades. As escolas reproduziram tartarugas em varios ambientes e após o nascimento foram hoje colocar as tartarugas nos lagos. Cada escola fez uma apresentaçao para comemorar o dia.



Aqui uma foto onde os alunos apresentam o acompanhamento do nascimento das tartarugas.



Abaixo o conjunto de fotos tiradas.

Fotos tiradas na escola



As tartarugas reproduzidas pelos alunos das Escolas do Tapará. Cada comunidade levou suas tartarugas e apresentaram seus resultados.



Alunos representando a postura das tartarugas. Várias dancas e representações foram feitas pelos alunos. Essa onde se apresentaram 3 meninas pintadas de preto com casco de tartaruga foi uma delas.



Danca das tartarugas. Os alunos e professores de uma das comunidades fizeram uma paródias com as músicas de carimbó e apresentaram em Santa Maria do Tapará.




Uma dança onde havia representação dos índios, brancos e negros foi feita por uma das comunidades. Aqui uma foto de três dos pequenos índios que se apresentaram.




A Escola está pintada com desenho das crianças. Aqui somente uma pequena mostra.




No dia anterior passamos a manhã olhando a contagem visual de Pirarucu com os pescadores. Os pescadores contam o pirarucu quando boiam e sabem se são jovens, adultos, macho ou fêmeas. Tem sido um novo modelo de estimativa de estoques incrível que tem se difundido na Amazônica a partir do trabalho do Leandro no Mamirauá.






Sentarmos para lanchar com os pescadores após a contagem. Claro que comemos sem merecer da comida deles, pois chegamos tarde já no fim de uma manhã de trabalho. Robin e Antonio, Toby e Marcelo, em baixo da guarita de monitoramento dos lagos.

23.12.06

Belém-Brasília

Antas em Castanhal...Velhas amigas.



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Oriana

Paragominas

A pecuária, agricultura de corte e queima e a extração e processamento de madeira são as principais atividades associadas com a ocupação da Amazônia Oriental. Em 1995 fiz o meu trabalho de tese avaliando os benefícios econômicos, sociais e os custos ecológicos dos usos da terra de Paragominas.


O estudo comparava a atividade madeireira, a pecuária e a agricultura praticadas da forma tradicional (se baseiando em grandes parcelas de terra para obter retornos modestos) com usos inovadores e mais intensivos da terra.

Naquela época existiam 137 serrarias que exploravam uma média 242 ha anuais com renda bruta por hectare de R$2.772 e essa era a principal atividade da região. As serrarias foram desaparecendo com a exploração intensiva de madeira e a exaustão dos recursos madeireiros. A pecuária continua sendo a principal atividade da paisagem local e da Amazônia em geral mas a entrada da soja na Amazônia começa a mudar bastante a paisagem da região.



O trabalho de Maria del Carmem mostra que a área potencial de ser ocupada por soja na Amazônia excede 1 milhão de hectares.
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As estradas estaduais do Tocantins estavam ótimas!!


Travessia do rio tocantins de balsa....já tomando atalhos para Brasília.




O céu maravilhoso do sertão do Guimarães


"A gente já chegou?"
"É tão, tão distante...."



Viagem

Antônio CHEGOU!!!!

Passou uns dias em Belém até a gente começar a viagem.

Fomos no museu Goeldi e no Mangal das Garças...Ele tirou umas fotos legais de bichos. As Fotos da borboleta e dos pássaros são dele...Tem olho de fotógrafo esse rapaz (modo pai coruja on).







2.12.06

Andando Belém

Nós saímos pelas ruas de Belém, a fotografar gentes e coisas...

Oriana adora fotografar, eu também...Estou descobrindo, junto com ela, a paixão pela fotografia.... O olhar educado, a educação do olhar.

Aqui vai um dos jeitos (dentre muitos) como vejo Belém.

As Coisas


Uma porta. Uma entrada para a cidade velha.




Mas há que se ter cuidado, e pedir educadamente para entrar.


Um Balcão na Cidade Velha.... Lembra outra cidade velha e amantes...

"JULIETA - Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu não fosses. Que é Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira." - Romeu e Julieta Ato II - Cena II: (William Shakespeare)




Tabacaria, Álvaro de Campos

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.





Os barcos de pesca no porto...No anoitecer lindo da beira do guamá.








As Gentes



Um futuro nos teus olhos.





Teus olhos em mim




As roupas, qual bandeiras agitadas




Os nós que atam a vida.



E descascam o tempo



De um estar no mundo sendo




Minha esfinge, minha aurora...

Que me decifra e devora